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Volta às aulas e corona – resumo da entrevista

Saúde

Volta às aulas e corona – resumo da entrevista

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Crianças são mais suscetíveis ao coronavírus? Transmitem menos ou mais? É o momento certo de retorno às aulas nas escolas? Veja o resumo da entrevista da médica Rosana Porto à Rádio Passos

Texto: Lívia Ferreira

Foto: Max Fischer/Pexels

Muitos pais com crianças em idade escolar estão receosos de enviar os filhos à escola com o retorno das aulas presenciais. São diversas dúvidas. Crianças são mais suscetíveis ao coronavírus? Transmitem menos ou mais?  Tratamento precoce funciona? O prefeito errou ou acertou em fechar o comércio de Passos? Para esclarecer estas e outras dúvidas, a médica pediatra e infectologista de Passos Dra. Rosana Porto Viana Teixeira concedeu entrevista ao jornalista Mário Júnior no programa Passos em Pauta, transmitido  pela Rádio Passos FM. Veja os principais tópicos da entrevista e compartilhe este conteúdo, se fizer sentido para você. Quanto mais informação e consciência, menos ansiedade.

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Coronavírus X Criança

  • Desde que começou a pandemia até o início de abril Passos tinha registrado 172 casos de crianças de até 12 anos contaminadas. Deste total, 95% estavam assintomáticas e fizeram o exame porque alguém da família se infectou. Houve apenas duas internações de crianças infectadas que eram portadoras de asma. Nenhuma criança infectada pelo coronavírus em Passos ficou com sequelas.
  • Crianças têm menos receptores que favoreçam a contaminação pelo coronavírus. Por isto, uma vez infectadas, permanecem assintomáticas ou oligossintomátcas. Por terem menor carga viral, transmitem menos o vírus.
  • Estudos indicam que as vacinas contra o sarampo e o vírus H1N1 podem proteger contra o coronavírus – a chamada imunidade heteróloga ou cruzada. Isto reforça a importância de se manter o calendário vacinal atualizado.
  • Passos teve aumento relevante no índice de obesidade infantil durante a pandemia do coronavírus. Uma das causas é o sedentarismo provocado pela falta de atividades físicas, já que as crianças estão mais reclusas neste período. As comorbidades que aumentam o risco de complicações de uma infecção por coronavírus em crianças são as mesmas relacionadas aos adultos – estar obeso é uma delas.
  • Em um ano de pandemia, aumentou a quantidade de crianças portadoras de transtornos mentais, vícios em jogos eletrônicos e foram registrados quatro suicídios infantis no município.

Volta às aulas

  • Uma publicação recente assinada pela direção do Hospital Sírio-Libanês enfatiza a importância da volta às aulas presenciais. Crianças fora da escola estão mais sujeitas à privação de alimentos, violência doméstica, abusos sexuais, problemas psiquiátricos e trabalho infantil, entre outros danos. “Muitas famílias não vão voltar a colocar as crianças nas escolas porque perceberam que elas são produtivas trabalhando e podem aumentar a renda da família. O resultado disto será sentido daqui a décadas”, alertou a médica, salientando que, no caso de crianças, as perdas são muito mais na área psicológica do que pela infecção por coronavírus.
  • A prefeitura autorizou para  abril o reinício das aulas presenciais. “Nada impede a prefeitura de voltar atrás e alterar ”, ponderou a médica, ao comentar sobre as mudanças de onda.

Variantes em Minas Gerais

  • Embora não exista laboratório em Minas Gerais que indique se no Estado há a mesma variante do coronavírus registrada no Amazonas, Dra. Rosana acredita que a nova cepa já esteja circulando em Passos. Isto por que está mudando o perfil das estatísticas: menos notificações com mais mortes e menos idade entre os infectados.
  • O que faz a novas variantes serem mais virulentas é que elas necessitam de menos carga viral para serem transmissíveis. Daí a razão para mais jovens e crianças estarem suscetíveis à contaminação.
  • Os testes feitos com as vacina da Janssen e da Pfizer tiveram melhores resultados em crianças que em adultos.
  • A médica fez uma defesa veemente da vacinação dos professores e já manifestou sua posição ao Ministério da Saúde.
  • Todos os dados apresentados pela pediatra durante a entrevista se referem a crianças de até 12 anos de idade.

Comércio e festas clandestinas

  • Dra. Rosana disse que não teria sido preciso chegar ao ponto de se fechar o comércio de Passos se tantas pessoas não tivessem transgredido as regras, desrespeitado os protocolos sanitários e realizado festas clandestinas. Ela lembrou que a brigada de enfrentamento à Covid-19 de Passos está sobrecarregada e que entende a posição do prefeito Diego Oliveira de ter fechado o comércio. “Entendo o desespero do prefeito em ver pessoas sofrendo por falta de vagas. Ele quis tentar. O brasileiro tem se comportado de forma cruel com aglomeração, com festas clandestinas. As pessoas perderam totalmente o respeito. Precisavam ver o desespero, o cansaço dos profissionais de saúde. Deveriam ser convidadas a passar o dia em uma unidade respiratória para ver como é uma morte por Covid.”
  • A médica lembrou que a característica do coronavírus é ser mutável. “O vírus vai sofrer diversas mutações enquanto a gente permitir que ele esteja circulando. Se as pessoas não mudarem o comportamento, vamos ficar igual cachorro correndo atrás do rabo. Apagando fogo com gasolina.”

Vacinação

  • A médica avalia que o Brasil poderia estar mais adiantado na vacinação contra a doença. Mas prevê um cenário positivo daqui para frente. “Outros países começaram vacinar em novembro e dezembro. Começamos em janeiro, fevereiro. Mas o Brasil desponta quando o assunto é imunização”, disse, estimando que até outubro o País terá grande parte de sua população vacinada.

Tratamento precoce

Dra. Rosana fez um apelo para que as pessoas não demonizem os médicos que prescrevem o tratamento precoce contra coronavírus. Ela lembrou que o Conselho Federal de Medicina (CFM) deu aval para que a decisão de se fazer ou não o tratamento precoce seja tomada de comum acordo entre médico e paciente. No momento há pesquisas incentivando o emprego de tratamento precoce e outras indicando que ele não seria eficaz contra a infecção pelo coronavírus. Portanto, julgar o profissional de saúde neste momento seria prematuro. “Quando médico prescreve o tratamento precoce é porque está no desespero e na esperança de que a pessoa doente não morra. É lamentável esta politização. O médico faz [o tratamento precoce] por compaixão, por amor ao próximo.”

 

Dra. Rosa Porto é pediatra e infectologista

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